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Sintomas de infarto: quando procurar socorro?

Sintomas de infarto: quando procurar socorro?

Conheça os sintomas de infarto, saiba quando ligar para o SAMU 192 e entenda por que a ausência de dor no peito não descarta uma emergência.

11 de outubro de 2026
5 min de leitura
Dr. Rodrigo Sguario
Doença Arterial Coronariana
Check-up e Prevenção Cardiovascular
Colesterol Alto e Dislipidemia
Guia de Sintomas Cardiológicos
Infarto
Saúde cardiovascular

Uma pressão no peito que você atribui ao estresse. Uma queimação que parece refluxo. Uma falta de ar diferente do habitual. Nem todo infarto começa com uma dor intensa ou com a pessoa caindo no chão — e esperar por essa cena pode atrasar o atendimento.

Reconhecer os sinais ajuda a tomar a decisão mais importante: buscar socorro sem tentar confirmar o diagnóstico em casa.

Se você está com desconforto no peito novo, intenso, persistente ou que vai e volta, especialmente com falta de ar, suor frio ou mal-estar, ligue para o SAMU 192. Não espere terminar a leitura e não dirija.

Como costuma ser a dor de um infarto?

O desconforto pode aparecer como aperto, pressão, peso ou queimação no centro do peito. Pode se espalhar para um ou ambos os braços, ombros, costas, pescoço, mandíbula ou parte superior do abdome.

É comum durar alguns minutos ou melhorar e retornar. Mas não existe um tempo mínimo que você precise esperar antes de pedir ajuda. Uma dor intensa ou acompanhada de sinais de gravidade merece atendimento imediato.

A intensidade também não define sozinha o risco. Um infarto pode começar com desconforto leve, e uma pessoa ainda conseguir falar, caminhar ou continuar trabalhando.

Quais outros sintomas podem aparecer?

Além do desconforto no peito, os sinais incluem:

  • falta de ar, com ou sem dor;
  • suor frio e palidez;
  • náuseas ou vômitos;
  • tontura, sensação de desmaio ou desmaio;
  • fraqueza ou cansaço incomum.

Esses sintomas têm várias causas possíveis e não confirmam um infarto. A suspeita aumenta quando são novos, surgem de forma inesperada ou aparecem junto de desconforto no peito. Não é necessário reunir dois ou três sinais para procurar socorro.

É possível ter infarto sem dor no peito?

Sim. Algumas pessoas apresentam principalmente falta de ar, mal-estar, fraqueza ou náuseas. Outras têm manifestações tão discretas que o infarto só é reconhecido posteriormente. Esses eventos pouco percebidos são mais comuns em idosos e em pessoas com diabetes.

Isso não significa que todo cansaço seja um problema cardíaco. O que merece atenção é uma mudança importante em relação ao habitual, especialmente se súbita, intensa ou associada a outros sinais de alerta.

Nas mulheres, a dor ou o desconforto no peito também é o sintoma mais comum. Falta de ar, náuseas e desconforto nas costas ou na mandíbula podem acompanhar o quadro. Atribuir automaticamente essas queixas à ansiedade pode atrasar a avaliação.

Como diferenciar infarto de ansiedade ou refluxo?

Nem sempre é possível fazer essa distinção apenas pela sensação. Queimação, aperto e falta de ar podem ocorrer em situações diferentes. Ter ansiedade ou refluxo não impede que a pessoa também apresente um problema cardíaco.

No atendimento, o médico considera os sintomas, o exame físico, o eletrocardiograma e exames de sangue, como a troponina. Dependendo do momento e dos achados, os exames precisam ser repetidos.

Um primeiro resultado sem alterações pode não encerrar a investigação. Da mesma forma, melhorar espontaneamente não garante que esteja tudo bem.

O que fazer enquanto aguarda o socorro?

Ao ligar para o SAMU 192, informe o endereço, os sintomas e quando começaram. Siga as orientações da equipe.

  • Interrompa o esforço e mantenha a pessoa em repouso, em posição confortável.
  • Se possível, permaneça ao lado dela e facilite a entrada da equipe.
  • Não tente resolver o quadro com calmantes, antiácidos ou outros medicamentos por conta própria.
  • Sobre aspirina ou AAS, peça orientação ao atendimento de emergência: há situações em que seu uso é contraindicado. Não atrase a ligação para procurar o remédio.
  • Se os sintomas melhorarem, informe a equipe; não conclua sozinho que o atendimento deixou de ser necessário.

Se um adulto ficar inconsciente e não respirar normalmente — inclusive se estiver apenas dando suspiros espaçados —, isso pode ser uma parada cardíaca. Coloque o telefone no viva-voz, acione o 192 e inicie compressões fortes e rápidas no centro do peito, seguindo as instruções do atendente. Se houver um desfibrilador externo automático (DEA), peça que alguém o traga, ligue o aparelho e siga suas instruções.

Por que o atendimento rápido faz diferença?

No infarto, parte do músculo cardíaco sofre lesão pela falta de sangue e oxigênio. Quanto mais cedo o quadro for reconhecido e tratado, maior a possibilidade de limitar o dano e tratar complicações, como arritmias.

Em determinados tipos de infarto, é necessário desobstruir rapidamente a artéria, geralmente por angioplastia. Em situações selecionadas, pode ser usado um medicamento para dissolver o coágulo, chamado fibrinolítico. A escolha depende do eletrocardiograma, do tempo de evolução, das contraindicações e da disponibilidade de atendimento.

Essas decisões são da equipe médica. Para quem está sentindo os sintomas, a orientação é simples: não esperar uma suposta “janela segura” para buscar ajuda.

E o que pode ser feito antes de uma emergência?

Controlar pressão alta, colesterol e diabetes, parar de fumar e manter atividade física e alimentação adequadas ajuda a reduzir o risco cardiovascular. O acompanhamento deve considerar também a história familiar e quem já teve infarto ou outra doença vascular.

Esse cuidado reduz o risco, mas não o elimina. Ter exames anteriores normais ou não conhecer fatores de risco não deve ser motivo para ignorar sintomas suspeitos.

Para prevenção e acompanhamento, agende uma avaliação cardiológica. Se os sintomas estão acontecendo agora e sugerem infarto, o caminho é o atendimento de emergência, não uma consulta agendada.

Referências

Dr. Rodrigo Sguario

Dr. Rodrigo M. R. Sguario

CRM-SP 211.484 | RQE 124.370 | Cardiologista

Médico Cardiologista formado com especialização de excelência pelo Instituto do Coração (InCor-USP). Especialista no manejo clínico de doenças graves, Insuficiência Cardíaca Avançada e Transplante Cardíaco. Seu foco é traduzir a melhor evidência científica em cuidado humanizado.

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