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Lipoproteína(a): o risco silencioso para a saúde do coração

Lipoproteína(a): o risco silencioso para a saúde do coração

Você já ouviu falar da lipoproteína(a), ou simplesmente Lp(a)? Um exame de sangue ainda pouco conhecido pelos pacientes, mas que pode ser crucial para a saúde do seu coração. Essa partícula hereditária está presente em todos nós, porém, em cerca de 20 % a 30 % da população, seus níveis estão elevados e passam despercebidos. Muitas pessoas convivem com esse fator de risco sem saber. Será que você faz parte desse grupo?

23 de janeiro de 2026
4 min de leitura
Dr. Rodrigo Sguario
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Prevenção
Risco Cardiovascular

O que é a lipoproteína(a)?

A lipoproteína(a) é formada por uma partícula de LDL (o famoso “colesterol ruim”) ligada a uma pequena proteína chamada apolipoproteína(a). Essa combinação é perigosa porque a Lp(a) possui maior capacidade de se aderir às paredes dos vasos sanguíneos, iniciando processos inflamatórios e favorecendo o acúmulo de placas.

Principais características da Lp(a):

  • Origem genética: Mais de 90 % do valor da Lp(a) é determinado pela herança familiar. Os níveis não são influenciados pela alimentação ou atividade física e tendem a permanecer estáveis ao longo da vida.

  • Variações hormonais e com a idade: Os níveis podem aumentar com o envelhecimento e após a menopausa.

  • Composição dupla: o componente de LDL transporta colesterol, enquanto a apolipoproteína(a) se assemelha à moléculas envolvidades na coagulação, , podendo interferir na capacidade de dissolver coágulos

Por que a Lp(a) é perigosa?

Hoje sabemos que existe uma associação direta entre valores altos dessa lipoproteína com a ocorrência de doenças cardiovasculares e doença da valva aórtica. Além disso, ela é considerada um fator de risco independente, ou seja, mesmo pessoas com colesterol LDL normal podem apresentar Lp(a) alta e um risco significativamente maior de:

- Infarto do miocárdio e angina: a Lp(a) facilita a deposição de placas de gordura nas artérias coronárias.

- Acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico: contribui para a formação de trombos e bloqueio de artérias cerebrais.

- Estenose aórtica calcificada: associa-se ao acúmulo de cálcio e espessamento da válvula aórtica.

As pesquisas mostram que o risco cresce de maneira contínua, sem um ponto de saturação; quanto maior o valor, maior o perigo.

Quem deve fazer o exame?

A lipoproteína (a) não é um exame solicitado rotineiramente e não está incluido no "perfil lipídico" tradicional, por isso, muitas pessoas nunca fizeram esse exame. Hoje, grandes sociedades de cardiologia, como a Europeia e a Sociedade Brasileira, recomendam que todos os adultos realizem o exame pelo menos uma vez na vida como uma estratégia para auxiliar na avaliação de risco cardiovascular e na definição de metas terapêuticas.

Além disso, o teste é especialmente útil para quem:

  • Pessoas com história pessoal ou familiar de doença cardiovascular prematura (infarto, AVC ou morte súbita antes dos 60 anos).

  • Parentes de primeiro grau de alguém com Lp(a) > 200 nmol/L.

  • Portadores de dislipidemias genéticas, como a hipercolesterolemia familiar.

Como o resultado deve ser interpretado?

Vale lembrar que não existe um “limite seguro”: quanto mais alto, maior o risco. Por isso, valores intermediários (75 a 125 nmol/L ≈ 30–50 mg/d) já merece atenção e reavaliação.

O que dizem as diretrizes de 2025?

A importância da medida está em identificar pacientes que precisem de acompanhamento mais rigoroso:

  • Valores moderadamente altos (≥ 50 mg/dL ou ≥ 125 nmol/L): São classificados como fator agravante, ou seja, essa elevação pode reclassificar uma pessoa de baixo para risco intermediário, ou de intermediário para alto. Essa reclassificação é importante para definição de estratégias terapêuticas mais agressivas, com metas mais rigorosas.

  • Valores extremamente altos (> 180 mg/dL ou > 390 nmol/L): Mesmo sem doença cardiovascular estabelecida, o indivíduo passa a ser considerado de risco muito alto. Essa classificação é comparável à de quem tem colesterol LDL ≥ 190 mg/dL ou aterosclerose subclínica relevante (formaçao de placas de gordura nos vasos). Essse gurpo merece um acompanhamento familiar e tratamento intensivo.

  • Metas terapêuticas focam no LDL. Para quem é reclassificado como de alto ou muito alto risco em função da Lp(a), o alvo não é reduzir a Lp(a), mas sim baixar agressivamente o LDL, assim como ter controle muito rigoroso de outras comorbidades tradicionalmente conhecidas como fatores de risco cardiovascular, como diabetes, hipertensão, obesidade e tabagismo.

O recado é simples: se o exame mostra Lp(a) alta, converse com seu cardiologista sobre a melhor estratégia para controlar vigorosamente os outros fatores de risco, ou seja, baixar o colesterol LDL, tratar a pressão, o diabetes, perder peso, quando necessário, e manter hábitos saudáveis.

Existe tratamento?

Atualmente ainda não foram aprovadas medicações específicas para reduzir os valores de Lp(a), mas estudo com terepias genéticas em andamento tem mostrado resultados promissores, com redução significativa da concentração da lipoproteína (a).

Conclusão: vale a pena medir a Lp(a)?

Descobrir seu nível de Lp(a) permite enxergar um fator de risco que muitas vezes fica oculto nos check‑ups habituais. Ao identificá-lo, você e seu médico podem ajustar o tratamento para proteger seu coração. Um acompanhamento individualizado ajuda a traçar o melhor caminho para prevenir doenças cardíacas.

Dr. Rodrigo Sguario
Cardiologista – Insuficiência Cardíaca & Transplante Cardíaco
CRM-SP 211484 | RQE 124370
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Dr. Rodrigo Sguario

Dr. Rodrigo M. R. Sguario

CRM-SP 245.922 | Cardiologista

Médico Cardiologista formado com especialização de excelência pelo Instituto do Coração (InCor-USP). Especialista no manejo clínico de doenças graves, Insuficiência Cardíaca Avançada e Transplante Cardíaco. Seu foco é traduzir a melhor evidência científica em cuidado humanizado.

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